Novidades na área

A quarta edição do WISC americano

 

Francisco Antonio Soto Vidal1,I; Vera Lúcia Marques de FigueiredoI, Elizabeth do NascimentoII

IUniversidade Federal do Rio Grande do Sul
IIUniversidade Federal de Minas Gerais

 

A Escala Wechsler que avalia a inteligência de crianças e adolescentes – Wechsler Intelligence Scale for Children (WISC) – já se encontra em sua quarta edição, nos Estados Unidos, e em breve estará disponível no Brasil. O presente texto se destina a apresentar esse novo instrumento e compará-lo em conteúdo e forma com a adaptação brasileira do WISC-III.

Publicado em 2003, doze anos após a versão anterior, o WISC-IV introduziu mudanças como nunca antes na história das escalas Wechsler. Quanto ao conteúdo do instrumento, foi simplificada a estrutura fatorial e reformulou-se a constituição dos subtestes. Com essa renovação, a editora, The Psychological Corporation, buscou melhorar as qualidades psicométricas da escala, aproximar o teste às novas teorias e unificar o modelo fatorial das escalas Wechsler de inteligência. Quanto à forma de aplicação e à aparência visual e física do material, o WISC-IV também trouxe melhoramentos, simplificações e atualizações.

Em função das diferenças transculturais, dos aumentos de QI na população e inclusive pelas mudanças no contexto histórico e sociocultural de um mesmo país, os testes psicológicos devem ser periodicamente revisados em seus conteúdos, estrutura e normas. Essas revisões são especialmente importantes para os testes que avaliam inteligência, devido ao chamado “efeito de Flynn”, referente aos ganhos de QI na população, por influência do tempo. Segundo Flynn (1987), a média do QI vem aumentando, desde 1930, cerca de 3 pontos por década nos Estados Unidos, principalmente quanto à capacidade não verbal. Em outros países desenvolvidos (França, Holanda e Japão), os ganhos seriam de 5 a 8 pontos por década, pelo menos em crianças urbanas (Lichtenberger & Kaufman, 2009). Assim, a utilização de normas desatualizadas produziria um efeito inflado nos resultados dos QIs.

Atendendo a essas propostas, as escalas Wechsler de inteligência têm passado por periódicas revisões. Em 1939, foi apresentada a primeira Escala Wechsler-Bellevue, incluindo subtestes verbais e de execução, destinados a avaliar a inteligência de crianças e adultos. Em 1949, surgiu a extensão do teste para crianças em idade escolar (WISC) e em 1974 publicou-se uma forma revisada (WISC-R), que atualizou as normas, sem alterar a estrutura geral do instrumento. O WISC-III foi editado em 1991, enriquecido – além da necessária atualização de normas – com alterações no conteúdo dos itens, inclusão de materiais coloridos, maiores evidências de validade e a criação de um subteste complementar (Procurar Símbolos), que contribuiu para consolidar, na terceira edição, a estrutura de quatro fatores.

Em 2003, no WISC-IV, foram introduzidos dois tipos de ajustes mais relevantes para a teoria: (a) modificação dos rótulos de dois fatores, denotando uma redefinição dos construtos subjacentes: Resistência à Distração recebeu a denominação de Working Memory – introduzida pelo WAIS-III e traduzida como Memória de Trabalho (MT) (Nascimento, 2000) ou Memória Operacional (MO) na adaptação brasileira (Wechsler, 2004), enquanto o fator Organização Perceptual ficou nomeado como Raciocínio Perceptual (RP); e (b) simplificação do modelo hierárquico fatorial: foram extintos o QI Verbal (QIV) e o QI de Execução (QIE), com o qual desapareceu a hierarquização que agrupava os quatro fatores em duas grandes áreas. Pelo novo modelo, o QIV ficou assimilado ao índice de Compreensão Verbal (CV) e o QIE equiparou-se ao índice RP. Os fatores CV e Velocidade de Processamento (VP) não foram renomeados.

A estruturação do instrumento ainda teve outras importantes modificações práticas: foram eliminados três subtestes (Arranjo de Figuras, Armar Objetos e Labirintos) e acrescentados cinco: Sequência de Números e Letras, Raciocínio Matricial (ambos adaptados do WAIS-III) e os novos subtestes Raciocínio com Palavras, Conceitos em Imagens e Cancelamento. Na estrutura do WISC-III, aplicavam-se dez subtestes e eram obtidos três QIs, ou aplicavam-se doze subtestes e eram obtidos, além dos QIs, quatro índices fatoriais (Figueiredo, 2001). No modelo da quarta edição, os quatro índices são obtidos com os dez subtestes principais. Dessa forma, do total de 15 subtestes, cinco ficaram como suplementares, servindo como substitutos em caso de algum não ser aplicável (por exemplo, por dificuldades sensoriais ou motoras da criança). O índice CV é avaliado pelos subtestes Semelhanças, Compreensão e Vocabulário (sendo suplementares: Informação e Raciocínio com Palavras), MO é um domínio avaliado pelos subtestes Dígitos e Sequência de Números e Letras (tendo Aritmética como suplementar) e RP é avaliado por Cubos, Raciocínio Matricial e Conceitos de Figuras (Completar Figuras é suplementar). VP permanece constituído pelos subtestes Código e Procurar Símbolos, e conta com o subteste Cancelamento como suplementar (Kaufman, Flanagan, Alfonso & Mascolo, 2006).

Adicionalmente, o WISC-IV abreviou o tempo de aplicação, simplificou a administração dos itens e criou os Escores de Processo. Tais escores são novos indicadores que oferecem informações mais específicas sobre os processos cognitivos envolvidos na realização das tarefas de alguns subtestes (Cubos sem bônus de tempo; Dígitos na ordem direta e na ordem inversa; Cancelamento aleatório e estruturado) e são apresentados em uma escala com média igual a dez e desvio padrão de três. O material também foi atualizado quanto à portabilidade e apresentação visual.

O lançamento do teste nos EUA trouxe ainda, como vantagens, uma forma em espanhol para aplicação a crianças que têm esse idioma como língua dominante, melhores índices de fidedignidade, estudos de validação em 16 grupos clínicos especiais, e correlações com outros testes, como o WIAT (Wechsler Individual Achievement Test), o CMS (Children’s Memory Scale), o GRS (Gifted Rating Scale) e outros. Posteriormente, foi publicado também o WISC-IV Integrado, somente em inglês, destinado a explorar, em crianças com dificuldades específicas, as mesmas habilidades avaliadas pelo WISC-IV (www.wisc-iv.com).

A nova edição do teste revela o interesse e o cuidado da editora americana em manter o instrumento atualizado, particularmente do ponto de vista teórico, e o bom nível de suas qualidades psicométricas. Estudos em nosso país são necessários para examinar se os novos subtestes avaliam os mesmos construtos definidos para o contexto norte-americano. O processo de adaptação permitirá que os pesquisadores brasileiros se beneficiem dos aperfeiçoamentos realizados no teste.

Conclui-se que as inovações feitas no WISC-IV foram significativas, tanto no que se refere à redefinição dos construtos avaliados quanto à estrutura geral do instrumento. Com tantas mudanças, é provável que haja resistências iniciais dos psicólogos ao utilizarem o novo teste. Com o fim de antecipar essas possíveis dificuldades e atualizar os profissionais brasileiros, foi escrita a presente nota técnica.

 

Referências

Figueiredo, V. L. M. (2001). Uma adaptação brasileira do teste de inteligência WISC – III. Tese de Doutorado não publicada, Curso de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade de Brasília. Brasília, DF.

Flynn, J. R. (1987). Massive IQ gains in 14 nations: What IQ tests really measure. Psychological Bulletin, 101(2), 171-191.

Kaufman, A. S., Flanagan, D. P., Alfonso, V. C. & Mascolo, J. T. (2006). Test Review: Wechsler Intelligence Scale for Children, Fourth Edition (WISC-IV). Journal of Psychoeducational Assessment, 24(3), 278-295.

Lichtenberger, E. O. & Kaufman, A. S. (2009). Essentials of WAIS-IV Assessment. New Jersey: John Wiley & Sons.

Nascimento, E. (2000). Adaptação e validação do teste WAIS-III para um contexto brasileiro. (Tese de Doutorado). Curso de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade de Brasília. Brasília, DF.

Wechsler, D. (2004). WAIS-III: manual para administração e avaliação. São Paulo: Casa do Psicólogo.

 

 

 

 

 

Sobre os autores:

Francisco Antonio Soto Vidal:psicólogo graduado pela Universidad de Chile e Mestre em Saúde e Comportamento pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
Vera Lúcia Marques de Figueiredo:Professora do curso de Graduação em Psicologia e do Mestrado em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas, Mestre pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Doutora pela Universidade de Brasília (UnB).
Elizabeth do Nascimento:Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Coordenadora do Laboratório de Avaliação das Diferenças Individuais (LADI) do Departamento de Psicologia/UFMG, Mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB).

CFP permite uso do nome social na carteira de identidade profissional

O Conselho Federal de Psicologia decidiu que os profissionais da psicologia transexuais ou travestis podem usar o nome social na carteira de identidade profissional, bem como em documentos como relatórios e laudos. A partir da publicação da Resolução CFP n° 14/11 no Diário Oficial da União, que ocorreu na sexta-feira, 24 de junho de 2011, os interessados deverão solicitar por escrito, aos seus Conselhos Regionais, a inclusão do nome social. Ele será adicionado no campo de observações do registro profissional.
Com a Resolução, fica permitida a assinatura nos documentos resultantes do trabalho da(o) psicóloga(o) ou nos instrumentos de sua divulgação o uso do nome social, juntamente com o nome e o número de registro do profissional.
A decisão representa um reconhecimento da igualdade de direitos destes profissionais e um respeito pela maneira como são identificados, reconhecidos e denominados por sua comunidade e em suas relações sociais.
Vários psicólogos já haviam pedido a troca de nome aos conselhos regionais, mas, como não havia diretrizes sobre o assunto, os requerimentos foram negados. O conselheiro do CFP, Celso Tondin explica: “Não havia regulamentação específica sobre o tema, isso provocou o Sistema Conselhos a fazer essa discussão, o que também atende a uma reivindicação histórica dos movimentos sociais”.

Fonte: http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_110622_001.html

______________________________________________________________________________________


Pode o luto ser classificado como doença mental?

Para a maioria das pessoas a dor extrema diminui com o tempo. Mas para outros, pode continuar sem esmorecer ou levar à depressão.

O conceito de luto patológico existe desde Sigmund Freud, mas recentemente começa a receber maior atenção. Todos nós, em algum momento de nossas vidas sofremos a perda de alguém amado e, muitas vezes, tal experiência pode levar-nos a questionar a própria sanidade mental. Quando será, então, que cruzamos a linha da patologia, necessitando tratamento contínuo com antidepressivos e psicoterapia?

O DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) acrescentará em 2013 uma nova categoria: o transtorno de luto complicado ou luto traumático. O novo diagnóstico se refere a situações em que sintomas de luto (saudade profunda, dificuldade de seguir adiante, sensação de falta de sentido na vida, amargura e raiva) duram seis meses.

Atualmente o DSM veta que a pessoa enlutada seja diagnosticada com depressão profunda, até dois meses do início do luto. Essa mudança, porém, permite que o tratamento médico para depressão seja dado nas primeiras semanas. É uma mudança controversa e que deve causar muitos debates sobre o tema.

Sabemos que a dor persistente pode aumentar o risco de outras doenças (problemas cardíacos, pressão alta, câncer), além de ansiedade e depressão, porém o luto está associado a um acontecimento em particular. enquanto as origens de uma crise de depressão são mais obscuras. Os antidepressivos não aliviam a saudade que os enlutados sentem. Alguns estudos sugerem que o luto pode provocar depressão assim como outras tensões como perda de emprego, término de relacionamento, etc.

Há os que defendam a idéia e há os que temem que essa mudança leve ao tratamento excessivo e injustificado. E voce? O que pensa disso?

LUTO PROLONGADO

  • Extrema confusão sobre o próprio papel na vida
  • Dificuldade em aceitar a perda
  • Evitar tudo o que lembra a morte
  • Incapacidade de confiar em outras pessoas desde que a morte ocorreu
  • Amargura ou raiva relacionada à perda
  • Dificuldade em seguir em frente com a vida
  • Torpor desde aperda
  • Sensação de que a vida não tem sentido
  • Sentido de atordoamento, sobressalto ou choque com a perda

Duração de, pelo menos, seis meses. O diagnóstico deve basear-se em dois critérios principais: a pessoaque perdeu o ser amado deve continuar a sentir saudade imensa, diariamente ou estar a um grau da incapacitação e apresentar , pelo menos, cinco sintomas (relacionados acima) graves a ponto de interferir, de modo significativo, na capacidade funcional do indivíduo.

Para saber mais sobre o assunto acesse http://www.sciam.com.br/  – Scientific American julho 2011 – Ano 10 no. 110 – Editora Duetto

_______________________________________________________________________________________

Gostariamos de compartilhar  a publicação de um artigo na Revista de dezembro do Portal do Envelhecimento,  sobre o trabalho com Memória Autobiográfica  cujo texto foi apresentado no Seminário Internacional de Psicopedagogia em outubro deste ano.

Escrito pela nossa amiga e parceira da trabalho Maristela Forli.

http://portaldoenvelhecimento.org.br/revista/index.php/revistaportal/article/viewFile/66/92

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s