Ansiedade na Infância

Os transtornos de ansiedade na infância são comuns e podem criar um
impacto significativo na rotina, no desenvolvimento, nas relações e no
processo de aprendizagem. Muitos destes transtornos são persistentes, ou
seja, se não forem tratados tendem a aumentar a probabilidade de
problemas na vida adulta.Algumas pesquisas mostram que a presença de preocupações em crianças é mais comum do que pensamos, referem-se ao desempenho escolar, morte, saúde e às relações sociais
É importante ressaltar que a ansiedade é uma resposta de autoproteção gerada por medo e/ou preocupação que varia de acordo com a idade e a realidade da criança.Segundo Paul Stallard “aproximadamente uma em cada dez crianças e jovens preencherá os critérios diagnósticos para transtorno de ansiedade durante a infância”. É uma estatística preocupante, principalmente se pensarmos que quadros de ansiedades
frequentemente podem vir associados à depressão.

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento de quadros ansiosos na infância e
adolescência, entre eles estão as influências genéticas, o temperamento (principalmente inibição), as influências ambientais e fatores cognitivos. Nesse tipo de transtorno é a percepção de uma ameaça que
gera a ansiedade e as crianças ansiosas tendem a perceber e interpretar seletivamente sinais de ameaça em situações nem sempre ameaçadoras.

TAC – Transtorno de ansiedade de separação
Mais comum em bebês e crianças em idade pré-escolar, constitui o medo da
separação real ou ameaça de separação das pessoas com quem estabeleceu
vínculos, especialmente a mãe. A TAC geralmente vem acompanhada da
preocupação de que algo vai acontecer com aos pais. A criança pode
apresentar relutância em ir à escola, dormir sozinha e ainda desenvolver
sintomas somáticos como vômitos, dores de cabeça, náuseas, etc. Também
são comuns choro, ataques de raiva, tristeza, apatia, entre outros.

Transtorno de ansiedade fóbico
As fobias se diferenciam dos medos normais pois persistem mais tempo, são
mal adaptativos e não há especificidade de idade. As fobias são
específicas a objetos, lugares ou situações. A reação é intensa e
extrema e pode provocar imobilidade, choro, ataques de raiva e angústia
intensa.

Fobia Social

Geralmente aparece na adolescência e sua principal característica é o medo excessivo da avaliação de seu desempenho junto ao grupo e em situações sociais. Em reação ao sentimento de humilhação e vergonha, a criança esquiva-se de tais situações.

As crianças com fobia social relatam sofrimento moderado em situações como ler em sala de aula, apresentar-se em eventos esportivos e artísticos, falar com adultos, iniciar uma conversa, etc.

Ataques de pânico
São imprevisíveis e acontecem em situações aonde não existe um perigo
objetivo. É caracterizado por medo intenso que pode ser: insperado (não
existe um fator desencadeante particular), vinculado a situações
(ocorrem por antecipação) e predisposto por situações (específicos).

TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada
Mais difícil de ser diagnosticada pois pode ser confundida com outros transtornos afetivos. A TAG
caracteriza-se pela preocupação excessiva, intensa e persistente
envolvendo vários eventos passados e futuros como desempenho, realização
de tarefas, controle de tempo, catástrofes, etc. A criança pode
apresentar inquietação motora, nervosismo, tremores, sudorese,
taquicardia, tontura, entre outros. Dores de cabeça, de estômago
recorrentes, distúrbios do sono, tensão muscular, irritabilidade,
dificuldade de concentração, fadiga também são sinais de TAG.

Esse diagnóstico só pode ser feito por um profissional especializado, através de uma avaliação minuciosa.
Medo e ansiedade todos nós temos, mas devemos avaliar quando estes sintomas
fogem da normalidade e exigem um cuidado mais específico. Na suspeita ou
na dúvida, procure um profissional.

por Sabrina Martinelli

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Estresse infantil

Antes de falar sobre o estresse infantil é importante definir o que chamamos
de estresse. Esse termo caiu na popularidade, e hoje quando estamos
cansados, nervosos ou esgotados logo dizemos que é estresse.Mas é muito mais do que isso.

Sintomas como inapetência, irritação, queda no rendimento escolar, ansiedade,
agressividade, isolamento, entre outros indicam um quadro de estresse
infantil. Vários fatores podem contribuir para o seu aparecimento, como
por exemplo: brigas na família, dificuldade de adaptação na escola,
mudanças repentinas de rotina, excesso de cobranças e competitividade,
intolerância à frustração, excesso de atividades extracurriculares, etc.

Mas afinal, o que é estresse infantil?

O estresse é uma reação emocional diante de situações difíceis ou
extremamente excitantes, provocando desequilíbrio físico e emocional.
Pode ser desencadeado por fatores internos (personalidade, pensamentos,
atitude) ou fatores externos (família, escola, rotina).

É possível prevenir o estresse infantil?

Sim, com certeza. Mas antes de tudo vale a máxima “filho de peixe, peixinho
é”. Pais estressados tendem a ter filhos estressados, a atitude dos pais
diante dos problemas ensina aos filhos como enfrentá-los. Tenha
consciência de que você é o maior exemplo que o seu filho tem, e dá a
ele o exato padrão de comportamento que tenderá a repetir.

Não sobrecarregue a criança com atividades. Ajude-a a escolher as que mais
lhe agradam e fique atento para que o espaço do descanso, da brincadeira
e do estudo sejam preservados.

A individualidade deve ser respeitada. Cada criança tem seu próprio
rítmo, não compare seu filhos com os irmãos ou com o filho do vizinho.
Tenha paciência e priorize sempre a qualidade não a quantidade.

O diálogo é sempre o melhor caminho. Converse, escute a criança e
compreenda suas dúvidas, medos e conflitos. Não banalize seus
sentimentos ou seu sofrimento. Lembre-se de que este é o universo dela.

Evite a superproteção. Desenvolver a independência e autonomia é fundamental
para que a criança aprenda que pode enfrentar e resolver seus problemas.
Crianças demasiadamente poupadas não são preparadas para enfrentar o
mundo.

Lembre-se: crianças não são adultos em miniatura. Não transfira para os filhos
responsabilidades que não são deles. Questões conjugais devem ser
resolvidas sem o envolvimento das crianças.

E, por fim, não vincule o afeto ao desempenho da criança. Muita cautela ao
estabelecer trocas na base da punição ou recompensa, voce pode estar
mostrando ao seu filho que o valor está no que ele faz e não em quem ele
é.

Na dúvida procure um profissional especializado.

Educar é uma grande aventura e, como em toda aventura, devemos ficar atentos aos nossos passos e aos caminhos que escolhemos.

por Sabrina Martinelli